O câncer de mama é a neoplasia mais frequente em mulheres no mundo, correspondendo a cerca de 24% dos novos casos de câncer diagnosticados nessa população. O risco de uma mulher desenvolver a doença ao longo da vida é de aproximadamente 12% — ou seja, 1 em cada 8 mulheres terá esse diagnóstico em algum momento da vida.
Principais fatores de risco
- Sexo feminino e envelhecimento.
- História familiar de câncer de mama ou de ovário, especialmente em parentes de primeiro grau diagnosticados antes dos 50 anos.
- Alterações genéticas herdadas, como mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, presentes em 5 a 10% dos casos.
- Estilo de vida: obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool.
- Algumas alterações benignas proliferativas da mama, como hiperplasia ductal atípica, hiperplasia lobular in situ e carcinoma lobular in situ.
Sintomas e sinais de alerta
Clinicamente, o câncer de mama pode ser assintomático em fases iniciais, sendo frequentemente detectado pelo rastreamento mamográfico.
Quando presentes, os sinais e sintomas mais comuns incluem:
- Nódulo palpável na mama ou na axila.
- Alterações na forma ou tamanho da mama.
- Alterações cutâneas, como retrações, aspecto de “casca de laranja”, dimpling ou vermelhidão.
- Descarga papilar, especialmente com sangue.
- Retração ou inversão do mamilo.
Nos casos mais avançados, pode haver invasão de tecidos adjacentes e metástases, principalmente para ossos, fígado, pulmões e cérebro.
Importância do rastreamento
O rastreamento com mamografia é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce, permitindo identificar o câncer em estágios iniciais — quando as chances de cura são muito maiores e os tratamentos podem ser menos agressivos.
- Mulheres com risco habitual devem iniciar a mamografia anual a partir dos 40 anos.
- Mulheres com alto risco (história familiar relevante ou mutações genéticas) devem começar mais cedo: ressonância magnética das mamas a partir dos 25 anos e mamografia a partir dos 30 anos.
Subtipos de câncer de mama
Apesar da diversidade de classificações, de forma simplificada, os cânceres de mama podem ser divididos em três grandes grupos:
- Tumores luminais – expressam receptores hormonais (estrogênio e/ou progesterona). Subdividem-se em Luminal A e Luminal B, conforme grau de expressão hormonal, índice de proliferação celular e outras características.
- Tumores HER2 positivos – apresentam hiperexpressão da proteína HER2, podendo ou não expressar receptores hormonais.
- Tumores triplo-negativos – não apresentam receptores hormonais nem expressão da proteína HER2.
Essa classificação é fundamental para a definição do tratamento mais adequado.
Tratamento
O tratamento do câncer de mama é multimodal e multidisciplinar, levando em consideração as características do tumor, o estágio da doença e o perfil da paciente.
Nos últimos anos, tivemos avanços significativos, com destaque para:
- Terapias-alvo.
- Imunoterapia.
- Conjugados anticorpo-fármaco (ADCs).
Essas inovações vêm transformando a história natural da doença, oferecendo maior eficácia, menos toxicidade e melhor qualidade de vida para as pacientes.
Mensagem final
O câncer de mama, quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, apresenta altas taxas de cura. Mesmo nos casos avançados, os avanços da oncologia têm possibilitado novas estratégias que prolongam a vida e preservam sua qualidade.
Referências principais: Łukasiewicz et al., Cancers 2021; Vaz et al., Eur J Nucl Med Mol Imaging 2024; American Cancer Society 2025; Harbeck et al., Nat Rev Dis Primers 2019; Waks & Winer, JAMA 2019; Trayes et al., Am Fam Physician 2021.