Tumores de Mama

Câncer de Ovário

câncer de ovário é uma neoplasia maligna que pode se originar nos ovários, nas tubas uterinas ou no peritônio, devido à semelhança clínica, histológica e terapêutica entre essas entidades. É o câncer ginecológico com maior mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados pela ausência de sintomas específicos nas fases iniciais e pela falta de métodos eficazes de rastreamento populacional.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais prevalente no Brasil, com mais de 6.600 novos casos por ano.

A maioria dos casos (cerca de 90%) corresponde a tumores epiteliais, sendo o carcinoma seroso de alto grau o subtipo mais prevalente e agressivo.
Outros subtipos epiteliais incluem:

  • Endometrioide
  • Células claras
  • Seroso de baixo grau
  • Mucinoso
  • Carcinosarcoma

Tumores não epiteliais, como germinativos e dos cordões sexuais, representam cerca de 10% dos casos.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de ovário incluem:

  • Idade avançada.
  • História familiar de câncer de ovário ou de mama.
  • Alterações genéticas, principalmente mutações em BRCA1 e BRCA2 (até 25% dos casos têm origem hereditária).
  • Nuliparidade (não ter engravidado).
  • Infertilidade e ausência de uso de contraceptivos orais.
  • Endometriose.
  • Obesidade e fatores hormonais.

Devido à alta prevalência de origem hereditária, todas as pacientes com diagnóstico de câncer de ovário devem realizar sequenciamento genético, uma vez que esse resultado influencia diretamente na estratégia terapêutica.

Nas fases iniciais, o câncer de ovário costuma ser silencioso ou apresentar sintomas inespecíficos.

Quando presentes, os sintomas incluem:

  • Dor ou sensação de peso abdominal.
  • Distensão abdominal ou aumento progressivo do volume abdominal.
  • Saciedade precoce ou perda do apetite.
  • Alterações urinárias ou intestinais.
  • Em estágios avançados: ascite (acúmulo de líquido no abdome) e massas palpáveis.

O diagnóstico envolve uma combinação de:

  • Avaliação clínica detalhada.
  • Exames de imagem: ultrassonografia pélvicaressonância magnética de pelve (fundamental para avaliação da extensão da doença) e tomografia computadorizada.
  • Marcadores tumorais séricos, como CA-125.

Na prática clínica, muitos diagnósticos ainda ocorrem de forma incidental, durante exames ou cirurgias realizados por outras razões.

tratamento do câncer de ovário depende do estágio da doença e deve ser definido por uma avaliação multidisciplinar, na qual o papel do oncologista é fundamental para integrar as melhores opções de cuidado.

As principais abordagens incluem:

  • Cirurgia, especialmente em estágios iniciais ou como estratégia de citorredução em doença avançada.
  • Quimioterapia baseada em platina (carboplatina + paclitaxel).
  • Terapias-alvo, como o bevacizumabe (antiangiogênico) e os inibidores de PARP, que revolucionaram o tratamento das pacientes com mutações genéticas, especialmente em BRCA1/2.
  • Novas drogas, como os conjugados anticorpo-fármaco (ADCs), que vêm ampliando as perspectivas de tratamento, melhorando os desfechos e trazendo mais esperança para pacientes com doença recorrente ou refratária.

Essa abordagem integrada e personalizada tem permitido avanços importantes, oferecendo não apenas maior sobrevida, mas também melhor qualidade de vida às pacientes.

O câncer de ovário é uma doença desafiadora, marcada pela dificuldade de detecção precoce e pela elevada mortalidade. Entretanto, os avanços no conhecimento genético e nas terapias-alvo — especialmente os inibidores de PARP — já transformaram o cuidado dessas pacientes, oferecendo maior sobrevida e qualidade de vida.

Além disso, novas drogas, como os conjugados anticorpo-fármaco (ADCs) e outras terapias em desenvolvimento, vêm ampliando as opções de tratamento e trazendo esperança para pacientes com doença recorrente ou resistente.

É fundamental destacar que, na presença de sintomas persistentes, a avaliação médica não deve ser adiada, pois o diagnóstico precoce é determinante para o sucesso do tratamento.


Referências principais: Venkatesan et al., JACR 2025; Caruso et al., JAMA 2025; Webb & Jordan, Nat Rev Clin Oncol2024; Lheureux et al., Lancet 2019; Smolarz et al., IJMS 2025; Jayson et al., Lancet 2014.

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