O câncer de pulmão é a segunda neoplasia mais frequente no mundo, ficando atrás apenas do câncer de mama. É também a principal causa de morte por câncer, sendo responsável por altas taxas de morbidade e mortalidade em diversos países. No Brasil, ocupa a 3ª posição entre os homens e a 4ª entre as mulheres em incidência.
Fatores de risco
O tabagismo é o principal fator de risco, estando relacionado a cerca de 80% dos casos e aumentando em até 20 vezes o risco de desenvolver a doença. No entanto, é importante destacar que até 1 em cada 4 pessoas diagnosticadas nunca fumaram. Entre os fumantes passivos, o risco também é maior.
Outros fatores de risco incluem:
- Poluição atmosférica e uso de combustíveis de biomassa.
- Exposição à radiação.
- História familiar e predisposição genética.
- Variações raciais e étnicas, que influenciam tanto a incidência quanto o perfil molecular da doença.
- Exposição ocupacional (asbesto, radônio, arsênico).
Sintomas e sinais de alerta
Nos estágios iniciais, o câncer de pulmão pode ser assintomático ou apresentar sinais pouco específicos, o que dificulta a detecção precoce.
Os principais sintomas e sinais de alerta incluem:
- Tosse persistente ou mudança no padrão da tosse.
- Dor no peito, especialmente ao respirar fundo ou tossir.
- Falta de ar ou chiado no peito.
- Rouquidão ou voz mais áspera.
- Expectorar sangue (hemoptise).
- Perda de peso não intencional e falta de apetite.
- Cansaço ou fraqueza persistente.
- Infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias ou bronquites.
Na presença de sintomas persistentes, é essencial procurar avaliação médica para investigação adequada.
Subtipos e biologia do tumor
Mais de 95% dos cânceres de pulmão pertencem a dois grandes grupos histológicos:
- Câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) – representa a maioria dos casos, subdividido em:
• Adenocarcinoma
• Carcinoma escamoso
• Carcinoma de células grandes - Câncer de pulmão de pequenas células (SCLC) – menos frequente, porém mais agressivo.
A histologia do tumor é determinante na escolha do tratamento, já que os diferentes subtipos apresentam perfis distintos de resposta às terapias e de efeitos adversos.
Do ponto de vista molecular, os maiores avanços ocorreram na identificação de mutações driver, como EGFR, ALK, ROS1, KRAS e TP53, que impactam diretamente a escolha terapêutica, especialmente nos adenocarcinomas.
Avanços no tratamento
O tratamento do câncer de pulmão é multimodal, podendo incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia, dependendo do estágio e do perfil molecular do tumor.
Nos últimos anos, houve transformações importantes:
- Terapias-alvo, como inibidores de tirosina-quinase para EGFR, ALK e ROS1.
- Imunoterapia (inibidores de checkpoint imunológico), que revolucionou o tratamento do câncer de pulmão, tanto em estágios iniciais como em avançados.
- Conjugados anticorpo-fármaco (ADCs), uma nova e promissora estratégia terapêutica.
Esses avanços mudaram a história natural da doença, proporcionando maiores chances de cura, sobrevidas mais longas e melhor qualidade de vida. No entanto, a resistência primária e adquirida ainda é um desafio em muitos casos.
Rastreamento e diagnóstico precoce
Um dos grandes obstáculos é que a maioria dos pacientes ainda recebe o diagnóstico em estágios avançados, quando as chances de cura são menores. A taxa global de sobrevida em 5 anos é de aproximadamente 20%, reflexo desse diagnóstico tardio.
O rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) demonstrou reduzir a mortalidade em populações de alto risco (fumantes e ex-fumantes).
As recomendações atuais indicam o exame anual para pessoas:
- Com 50 anos ou mais,
- Com histórico de tabagismo de pelo menos 20 maços-ano,
- Ou que tenham parado de fumar há menos de 15 anos.
Mensagem final
O câncer de pulmão é uma doença heterogênea e de alta letalidade, mas não é mais uma sentença.
Graças ao avanço da ciência, hoje contamos com diagnóstico molecular refinado, terapias personalizadas e novas estratégias em desenvolvimento.
Esses progressos permitem cada vez mais controle da doença, aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida para os pacientes.
Referências principais: Smolarz et al., IJMS 2025; Thai et al., Lancet 2021; Leiter et al., Nat Rev Clin Oncol 2023; Wolf et al., CA Cancer J Clin 2024; Pradhan et al., Med Oncol 2025.